FESTA DE QUEIMA DE TAMBORES DE TAQUARUÇU
Texto escrito por Daniel de França Feitosa Costa
A mais ou menos 30 quilômetros de Palmas acontece a tradicional festa de Queima de Tambores, oficialmente chamada de queima de Turimbós. A atração turística, que já é realizada há 20 anos, oferece diversão e entretenimento aos turistas que chegam em busca da riqueza cultural do distrito de Taquaruçu, um lugarzinho aconchegante, de gente hospitaleira, cheio de cachoeiras de águas frias, que atrai turistas de várias regiões do país. O nome indígena significa Taboca Grande e foi dado originalmente ao rio que banha a região. É um dos povoados mais antigos do Tocantins. Sem mais delongas, no lugar considerado “o refúgio dos palmenses”, esse ritual de renovação e purificação por meio do elemento natural, o fogo, acontece anualmente, no período do feriado de carnaval. A festa é guiada por bonecos gigantes, cada qual com o seu nome e sua história e seus nomes são: Boneco Amarelo, Maculelê, Mãe Bá, Boizinho Sonhador e os Cavalinhos. Estes cinco bonecos representam as regiões Norte, Sul, Taquaralto, Aurenys e Taquaruçu. Eles celebram a harmonia e o equilíbrio do humano. Os bonecos representam a força masculina com a natureza. E a Boiúna (uma cobra gigante no mito amazônico, conhecida como senhora das águas) a força feminina.
Embalados
pelo ritmo do Capoeboicongo – a mistura da capoeira, boi e congo, tocada pela
banda TabokaGrande – eles cantam e dançam, guardando a nossa raiz,
tupi-afro-brasileira. Essa celebração começa com a corte da Boiúna, onde os
bonecos reúnem o público na praça Francisco Colares, entrada da Aldeia Tabokagrande, formando a roda gigante com o acompanhamento da banda, apresentando
seus bailados. A celebração é finalizada com a queima dos tambores, onde o
público pode fazer pedidos e desejos em pedaços de madeira, jogando dentro do
fogo, nos troncos das árvores reaproveitadas que foram caídas por si só ou
ocadas pela ação do tempo, transformando-as em tambores. São feitos pedidos de
paz, harmonia e equilíbrio entre homem e natureza aos entes no momento do
ritual onde a fé também se faz presente. Imagine só, esse ritual é gratuito e
aberto ao público, tendo artistas convidados e visitantes. Naturalmente, não
poderia ser diferente, já que o ideal é a integração, sendo repleto de poesias,
contos, causos e músicas, onde o caos se faz rito através do fogo, elemento
criador e destruidor, transformação do que está ruim para algo bom. Há vinte
anos, esse rito chamado de Queima dos Turimbós, foi idealizado pelo Mestre
Wertemberg Nunes, pesquisador de culturas populares do Brasil, e teve influências
do Congo do Espírito Santo, do Boi do Maranhão, do Congo do Carmo do Cajuru- MG
e da capoeira Angola.
A
organização do projeto se faz através da instituição Taboka Grande e Oca do Vento
(agência de turismo e eventos da Taboka Grande), tendo apoio da Fundação da
Infância e Juventude de Palmas, Sebrae-TO e da Governança Turística de
Taquaruçu. Como dito no iniciar deste texto, para muitos moradores de Palmas,
Taquaruçu é uma espécie de refúgio, para onde vão em busca de recarregar as
energias. Mas o lugar também é perfeito para quem quer adrenalina. São 82
cachoeiras catalogadas, paredões, grutas, córregos e mirantes, num local onde o
turista pode praticar atividades como rapel, tirolesa, trilhas - tanto a pé
quanto de bicicleta - e se refrescar nas águas. Além da programação de festas
tradicionais como a revigorante Queima de Tambores ou Queima de Turimbós, o
turista ou visitante pode recorrer às belezas e riquezas naturais do distrito
como se não houvesse amanhã, afinal os moradores e trabalhadores do lugar podem
garantir uma noite de sono tranquila e sua segurança na hora da diversão,
unindo o útil ao agradável.
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